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Dólar sobe e bate R$ 4,06, com risco à agenda de reformas e disputa entre EUA e China
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Dólar sobe e bate R$ 4,06, com risco à agenda de reformas e disputa entre EUA e China

O dólar opera em alta nesta sexta-feira (17), atingindo o patamar de R$ 4,05 logo na abertura do pregão, conforme investidores veem mais risco diante da piora de perspectiva para a agenda de reformas. Além disso, pesa a aversão ao risco no exterior por renovadas tensões na disputa comercial entre Estados Unidos e China.

Às 9h14, a moeda norte-americana subia 0,44%, vendida a R$ 4,0528. Na máxima da sessão, a divisa atingiu R$ 4,0648.

No dia anterior, a moeda norte-americana subiu 0,97%, vendida a R$ 4,0352 - maior patamar de fechamento desde 28 de setembro do ano passado (R$ 4,0378). Na máxima da sessão, o dólar chegou a R$ 4,0411. No ano, o dólar já acumula alta de 4,16%. No mês, a alta é de 2,91%.

Novo patamar com riscos à reforma
 
A confiança do mercado após a eleição do presidente Jair Bolsonaro, em outubro do ano passado, levou o dólar a uma mínima em torno de R$ 3,65 no dia 31 de janeiro (veja no gráfico acima). Desde então, no entanto, o Executivo tem acumulado derrotas no Congresso, com ameaças de diluição da proposta da reforma da Previdência.
Como resultado, o dólar anulou toda a queda vista após a eleição de Bolsonaro. E, desde a mínima deste ano, já subiu 10,31% até quinta-feira.
Além disso, ao romper a barreira psicológica dos R$ 4, analistas avaliam que esse nível se aproxima cada vez mais do novo patamar de fundamento para a taxa de câmbio, conforme se acentuam os riscos à agenda de reformas, segundo a Reuters.
Até pouco tempo atrás, a ideia desse novo patamar não era cogitado, mas o cenário contemplava menos reveses na reforma da Previdência e estabilidade ou alta dos juros, tendo como pano de fundo uma economia mais fortalecida e um ambiente externo menos conturbado.
A demora na aprovação da reforma previdenciária na CCJ, etapa mais simples do processo, e os ruídos subsequentes expuseram a falta de articulação política do governo, o que explica boa parte dessa valorização do dólar. Isso porque o mercado teme uma reforma menos potente e, por tabela, um quadro mais conturbado para as contas públicas.
 
Como resultado, empresas adiaram investimentos, mantendo a economia ainda frágil, o que por sua vez reavivou debate sobre retomada de flexibilização monetária.
De acordo com a Reuters, nesta semana, o Morgan Stanley passou a estimar dólar em R$ 4,10 ao fim de junho, contra projeção anterior de R$ 3,85, citando a perspectiva de mais ruídos políticos.

Já o Bank of America Merrill Lynch aumentou na quinta a estimativa para o dólar ao fim do ano a R$ 3,80, ante prognóstico anterior de R$ 3,60, devido ao "crescimento menor, juros mais baixos, real mais fraco".

A despeito da expectativa de que alguma reforma da Previdência seja aprovada, a percepção é que os níveis de risco subiram de forma estrutural. E mesmo um alívio não seria suficiente para baixar de forma substancial o dólar, destaca a Reuters.

Fonte. G1

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