Após enfrentar uma miastenia gravis, doença autoimune que afeta a comunicação entre nervos e músculos e provoca fraqueza muscular, a estudante Giulia Bispo decidiu celebrar a chegada dos 20 anos ressignificando o esporte que a ajudou a enfrentar o diagnóstico e recuperar sua autonomia.
Com direito a bolo e cercada por pessoas que ama, ela percorreu um percurso de 2 quilômetros no Parque dos Poderes no domingo (16), espaço onde costuma praticar o esporte. Cerca de 25 amigos toparam participar do momento.
Giulia relata que, durante o tratamento, a corrida ganhou um significado especial na sua vida e que passou a enxergar no esporte uma forma de reconquistar a confiança no próprio corpo e recuperar a autonomia. “Aqueles 2 quilômetros não eram só uma corrida. Eram uma celebração da minha vida, da minha recuperação e de tudo o que eu enfrentei. Foi uma forma de olhar para trás e perceber o quanto eu tinha caminhado e corrido até chegar ali,” expressa.
A estudante relata que seu cirurgião foi sua maior influência para iniciar no esporte. “Eu sempre via ele postando fotos das corridas, mostrando o quanto aquilo fazia bem para ele e o quanto ele parecia feliz praticando. Aquilo começou a despertar em mim uma vontade de experimentar também. Pensei: ‘Por que não?’.”
Giulia compartilha que sempre gostou de celebrar seus aniversários e reunir pessoas importantes em sua trajetória. O ato ganhou ainda mais significado após o diagnóstico de miastenia. “Hoje eu não vejo meu aniversário apenas como a chegada de mais um ano, mas como a oportunidade de agradecer por estar aqui, por tudo que vivi e, principalmente, por tudo que ainda tenho para viver. A corrida foi uma celebração do meu corpo e da minha superação.”

Jovem relatava cansaço e fraqueza antes da descoberta da doença
Antes da descoberta da doença, a estudante relata que vivia frequentemente cansada, possuía pouca força e dificuldade para praticar atividades físicas. Aos 18 anos, após contrair uma gripe e precisar realizar uma tomografia do tórax, em 2024, ela descobriu que ainda possuía o timo, glândula que normalmente diminui de tamanho ao chegar à vida adulta.
A partir da descoberta, a estudante passou por diferentes especialistas em Campo Grande, em busca de um diagnóstico para identificar possíveis doenças associadas à permanência do órgão. O diagnóstico de miastenia gravis foi confirmado em maio de 2025, após ela passar por atendimento em Maringá (PR) com o cirurgião torácico Maurício Lemos e ser acompanhada pelo neurologista Gustavo Peraro.
Com o diagnóstico fechado, Giulia foi orientada a realizar uma timectomia robótica, cirurgia para retirada do timo. A estudante passou pela cirurgia no dia 17 de julho de 2025, em Maringá. Ela expressa que, apesar da ansiedade, esteve o momento todo cercada pela família, que saiu de Campo Grande para acompanhá-la durante o procedimento. “Não sabia o que esperar de uma cirurgia via robô, mas estava me sentindo muito segura por ter toda minha família e namorado lá comigo.”
Estudante sonha em ser médica
Com uma vida inteira pela frente, Giulia conta que está estudando para o vestibular, pois o seu maior sonho é ingressar na faculdade de Medicina.
Ela compartilha, ainda, que a experiência que teve como paciente também ajudou a moldar sua perspectiva sobre a profissão. “Durante todo o meu tratamento, conheci médicos que não cuidaram apenas da minha doença, mas que me acolheram, me deram segurança e fizeram parte de um dos momentos mais importantes da minha vida. Eles se tornaram grandes inspirações para mim.”
Pensando além, no futuro, a estudante expressa que gostaria de trabalhar como pediatra e que sua ambição é cuidar de crianças e de suas famílias com o mesmo olhar humano e a empatia que encontrou nos médicos que cuidaram de seu tratamento.
“Talvez essa seja uma das coisas mais bonitas que a minha história com a miastenia me deixou: eu passei de alguém que precisava ser cuidada para alguém que sonha, um dia, em cuidar. Quero transformar tudo o que vivi em propósito”, finaliza.
FONTE:MIDIAMAX












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